Para síndicos e administradores de condomínios, gerir os elevadores de um prédio antigo é um desafio particular. Esses equipamentos costumam ter décadas de uso, tecnologia ultrapassada e peças cada vez mais difíceis de encontrar. Ao mesmo tempo, são parte da rotina de moradores que dependem deles diariamente e que esperam segurança e conforto.
A boa notícia é que a modernização oferece um caminho viável para trazer esses elevadores aos padrões atuais, sem a necessidade de substituir toda a estrutura.
Os principais desafios
Em prédios antigos, os principais desafios são a obsolescência do quadro de comando, a dificuldade de encontrar peças de reposição, o consumo elevado de energia, a ausência de recursos de acessibilidade e a defasagem em relação às normas de segurança atuais. Some-se a isso o fato de que muitos moradores resistem a investimentos, por desconhecerem os riscos de manter um equipamento defasado.
Modernizar não é trocar tudo
Ao contrário do que muitos imaginam, modernizar nem sempre significa substituir o elevador inteiro. É possível atualizar por etapas: trocar o quadro de comando, instalar inversores de frequência, renovar portas e botoeiras, melhorar a iluminação e incorporar recursos de acessibilidade. Essa abordagem gradual aproveita a estrutura existente, dilui o investimento e reduz o impacto no orçamento do condomínio.
Por onde começar
O ponto de partida é uma vistoria técnica que avalie o estado real do equipamento e defina prioridades. Com esse diagnóstico em mãos, o síndico pode montar um plano de modernização por etapas, apresentá-lo em assembleia com argumentos técnicos e financeiros e conduzir o processo de forma organizada, começando pelos itens de maior impacto na segurança.
Modernizar um elevador antigo é, muitas vezes, mais econômico do que conviver com a sucessão de panes e a escassez de peças e devolve ao condomínio um equipamento seguro e eficiente por muitos anos.
O que dizem as normas
Existe uma norma específica para esse cenário: a ABNT NBR 16858-7, publicada em 2022, que cancelou e substituiu a antiga ABNT NBR 15597 e trata da melhoria da segurança de elevadores existentes, com o objetivo de alcançar nível de segurança equivalente ao de um elevador novo conforme as Partes 1 e 2 da ABNT NBR 16858. Ela reconhece que, por limitações do próprio edifício, nem sempre é possível chegar ao estado da arte e por isso propõe um método: identificar as situações perigosas usando a lista de verificação do Anexo A, avaliar cada uma pela combinação de severidade e probabilidade e classificá-las em níveis de prioridade, com cronograma correspondente. Prioridade extrema exige ação imediata; prioridade alta, curto prazo; prioridade média, médio prazo ou execução junto com uma modernização ampla; prioridade baixa, longo prazo ou execução junto com a modernização do componente relacionado (Tabelas 3 e 4). É exatamente o instrumento que o síndico precisa para transformar um elevador antigo em um plano de etapas defensável em assembleia, com critério técnico, e não por ordem de urgência percebida.
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